Bem, lá no trabalho essa é uma discussão que começou a aparecer frequentemente.
Antes de tudo, algo sobre discussão em si. Eu acho que quando se entra numa discussão, duas forças, diametralmente opostas, entram em ação; mas sempre simultâneas, por mais que você não perceba:
1º se você tem uma opinião sobre o assunto, você vai tentar expô-la com o fim de fazer o outro entender o seu ponto de vista. e quem sabe ficar do seu lado.
2º realmente querer se convencer contra a própria opinião. esperar um argumento mágico que faça você mudar de ideia. um deus ex machina das opiniões. esse é bem sútil, mas eu tenho certeza que todo mundo, que tenha a cabeça aberta, sinta.
Outro dia eu vi um livro do Schopenhauer que me interessou, mas como tô com um monte de coisa pra ler pro tcc, resolvi deixar pra depois. O nome é algo do tipo: “Como ganhar uma discussão, mesmo sem ter razão.”
Eu acho que a segunda força é bem verdade pra mim. Mas quando digo isso, me refiro a esperar um argumento realmente convincente. Caso contrário, me mantenho na minha opinião. Por exemplo, eu sempre tive vontade de ver um fantasma ou um ET, mas eles simplesmente não aparecem! E faço um apelo aqui, inclusive. Se você que está lendo morrer antes de mim, por favor me assombre. Por favor. É realmente algo que preciso ver pra crer.
Mas enfim, sobre dom. Quando digo “dom” aqui, estou expandindo a discussão para: “o homem é resultado do meio ou não?”, ou “o homem nasce bom, a sociedade corrompe? ou ele já nasce mau.”, etc. Sempre quis ter uma visão meio cinematográfica, de várias timelines diferentes pra uma situação simples, ao estilo ‘Efeito Borboleta’, na minha vida. Por exemplo, uma vez na escola(tipo 5ª,6ª série) um amigo meu veio querer brigar comigo, batendo mesmo e tal, e eu só me defendi na época, isso porque antes disso eu já tinha uma filosofia anti-briga, eu e meu irmão nunca brigávamos, e etc…E eu fico pensando, e se eu tivesse brigado ali naquele momento, que é um período meio de formação do que você vai ser, seria eu a mesma pessoa hoje? Eu nunca briguei com ninguém na vida, poderia ter sido a primeira e nunca mais. Ou se eu e meu irmão tivéssemos o costume de sair na porrada em casa, isso poderia me pre-dispor a uma briga com esse meu amigo, e com isso gerar “a primeira de muitas”. E com certeza eu não seria a mesma pessoa. Isso tem muito a ver mesmo com efeito borboleta, e a teoria do caos, enfim. Mas sei lá, eu posso estar enganado, mas creio que, desde que estamos na barriga de nossas mães, recebemos diversos estímulos aleatórios do mundo, e isso nos faz caminhar pra alguma direção pra enfrentarmos novos estímulos direcionados, e talvez mais alguns aleatórios pra tomarmos quem sabe outro rumo e etc…Claro que tudo isso meio que já conduzido por questões do DNA, questões físicas e etc.
Acreditar em dom, pra mim, seria como acreditar em destino. Isso é fora de cogitação. Como acreditar no ‘amor verdadeiro’, como se o amor não fosse uma construção de dois seres se encontrando em suas aleatoriedades. Seria como negar a importância da educação. Não posso acreditar que um bandido nasceu pra ser bandido, que se ele é um bom bandido e enganador, é porque ele nasceu com a maldade. O cego nato não nasceu pra andar bem melhor no escuro do que os outros. Ele nasceu cego! Por isso com o tempo desenvolveu outros sentidos. Acreditar em dom é limitar as possibilidades de mudança, limitar a influência das pequenas coisas sobre nós.
Por exemplo, se por um lapso temporal não tivessem inventado o futebol. O Pelé seria bom em que? Quantas coisas ainda estão por ser inventadas e criadas, e isso nos faria hoje pessoas com um dom de algo que não existe ainda? Ou só nascemos com dom pra algo que já existe? Tipo existe uma regra na distribuição do dom?
Mas é bom deixar claro. Estou levando em consideração as questões físicas do DNA e tal. Nisso há mesmo uma pré-disposição física, que pode gerar um favorecimento de alguns perante outros. Se não pode parecer um Lamarckismo > Darwinismo. E Darwin roots!
Aliás, essa questão de dom, sempre está ligada a juízo de valor. O que por si só já mostra uma questão de gosto, ou seja, relativo. Se dissermos que o tal menino “novo monet” tem o dom da pintura, já estamos dizendo que a pintura que ele faz é boa, mas isso é questionável; pois ele só usou uma técnica já conhecida, pra reproduzir uma estética conhecida e apreciada por alguns. É uma fórmula desenvolvida que faz sucesso no “jogo” da arte, do consenso do belo, em questão. Assim como Pelé desenvolveu uma técnica que fez sucesso no jogo dele.
Mas enfim, essa parte acho que é meio consenso a maioria acreditar. A dúvida então é pontualmente na formação. Você acredita que as nossas escolhas são meio que aleatórias e influenciadas por fatores externos a nós? Ou você acha que nascemos pré-dispostos internamente a seguirmos algum caminho? Se possível responda no comentário. Gosto sempre da discussão, e como disse antes, gostar de discussão é ter em si uma força contrária, esperando um bom argumento que te faça mudar de opinião. E quero ver ET! Cadê?

Eu sempre esqueço qual é o nome da música, e consequente refrão, do Pearl Jam; eu não lembro se é “its evolution, baby”, ou se é “its revolution, baby”. [procurando no google... e descobrindo que é 'evolution']
Tenho uma teoria sobre cachorros. Eu não gosto deles, e como já comentei com algumas pessoas, eu descobri que eu gosto só dos cachorros que se parecem com gatos. Aqueles que não latem, e ficam no seu cantinho, e muitas vezes tem até medo de você se aproximar. Aliás, muita gente fala: “nossa, eu sou muito parecido com meu cachorro!”, mas na verdade as pessoas se parecem mesmo é com os gatos. Quem é que conhece a pessoa pela primeira vez e age como um cachorro? 1) avançando e gritando com ela. 2) avançando, lambendo e mordendo ela de brincadeirinha(?). Ninguém faz isso. Todo mundo age igual um gato, fica meio de soslaio, da um oizinho discreto, e finalmente chega perto.
Então Lost acabou. Fim digno pra uma série que meio revolucionou o mundo das séries. Sim, surpreendeu a todos o final, exatamente pela coragem de colocar um final tão especulado e esperado. É tipo surpreender pelo óbvio. Mas isso pensando no final somente como final, como explicação, e Lost foi muito mais do que isso. Desde a primeira temporada, a série se mostrava claramente sobre “as pessoas”. Falei isso pra um monte de gente nessa última temporada, e o final só reforça isso. Uma série de múltiplos personagens numa ilha, onde cada episódio focaliza um personagem específico e seus conflitos dentro e fora da ilha, só poderia resultar nisso: um final sensível e emocionante, no sentido amplo dos conceitos, que deixou claro que as perguntas sobre “o que é a ilha? o que eles fazem aqui?” sempre foram na verdade uma grande metáfora de todos nós diante da vida. E sei lá, se não há respostas para teorias da ilha, tenho respostas para teorias do por que gostar ou não gostar de Lost. Além do fato de como cada um viu a série, tem a questão do repertório de cada um ao receber um final como esse. Eu que sou um puta fã de Donnie Darko e de filmes do gênero gostei. Aliás, fica a dica para um filme que chama “The Believer” que a última cena me lembrou o final de lost também, e também o filme japonês “After life”.


