Não existe alguém de sete olhos. Então a quem interessar, olhar o endereço do papelzinho novamente, terá novidades, se é que você passa por aqui. se é que foi lido.
=]
a um velho de sete olhos, ou à alguma moça do ônibus que usa touquinha em dias de frio.
8 de fevereiro de 2010Rumpelstiltskin
27 de janeiro de 2010Rumpelstiltskin é uma história dos irmãos Grimm. Talvez pouca gente conheça por esse nome, o que é uma pena, um nome tão legal ser substituido popularmente por “a menina que transformava a palha em ouro”. Mas enfim, tem umas coisas nessa história que eu gosto muito. Principalmente a parte do enigma, na verdade eu acho que gosto de enigmas em geral. Essa coisa de uma palavra que vai gerar uma transformação, ou evitar algo. Na história, para não perder o seu primeiro filho a moça tem que descobrir o nome do leprechau em 3 dias. Que é Rumpelstiltskin. Ela descobre com a ajuda de um passarinho informante que ouviu o leprechau bêbado cantando seu próprio nome na floresta. Enfim, é muito legal essa coisa de uma palavra ser o gatilho de algo, transponho isso para a vida real, hehe. Às vezes uma palavra, ou algo simples que você faz, pode gerar algum acontecimento legal. Ou ruim também. Mas o fato de uma palavra, uma simples palavra que está perdida no mundo das palavras, que é alcançável a todo instante, ter em certo momento e para alguém determinado um valor transcendente ao próprio valor normal dela.
E ainda nisso, essa parte do nome lembra muito o que escrevi no post sobre exorcismo. Talvez essa história tenha algo de que quando você conhece e da nome aos seus problemas, é um grande passo para enfrenta-los, talvez o principal passo. E a história deve ser meio que uma metáfora sobre isso.
Talvez não deu pra entender no que eu quis chegar, mas enfim, pra mim isso da palavra ter encantos mágicos é bem interessante.
Ah, e só pra constar, conheci esse conto aí no antigo programa da cultura, Contos de Fada. Quem se lembra sabe que era um ótimo programa. =]
fim
10 de janeiro de 2010fim
[Do lat. fine.]
Substantivo masculino.
1.Momento em que se acaba ou se conclui alguma coisa; conclusão, termo final:
Tudo na vida tem um fim;
o fim de uma relação amorosa.
2.Ponto além do qual não se pode prosseguir; extremo, limite:
Estava no fim de suas forças.
3.A última parte de qualquer coisa:
Lia rápido para chegar ao fim do capítulo.
4.Extremidade, limite:
A loja é ali no fim da rua.
5.Causa, motivo:
Ver a criança foi o fim que me trouxe aqui.
6.Intenção, propósito; finalidade:
“O primeiro fim das Farpas foi promover o riso.” (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas, p. 33);
O meu fim, ao fazer esta viagem, foi ser-lhe útil.
7.Alvo, fito, mira:
A glória é o seu fim.
8.Morte, falecimento:
Nunca se sabe quando chega o fim.
Fim é uma palavra bonita. Assim como “end”. Palavra forte, com peso e tal. Estava lembrando hoje que na época que eu fazia cursinho eu pensava freqüentemente numa imagem/algo…eu até fiz um desenho na época, mas ficou ruim. Era sobre aquela história de que no final do arco-íris existe um pote de ouro…bem, só que no que eu imaginava tinha um empecilho, que na verdade é o grande mote desse pensamento. No que eu imaginava, existia um baú enorme sim, porém tinha uma fechadura com uma chave totalmente desconhecida. No caso, não havia exatamente ouro, ele estava fechado…enfim, mas eu sabia o que tinha dentro. E bem, na verdade não era nem um baú, isso tudo era uma grande metáfora sentimental que eu transformei em imagem na minha cabeça. Mas bem, isso me lembrou também que na frente das catracas do metrô Alto do Ipiranga existe algo parecido, um jardim muito bonito e bem cuidado com um caminho de tijolinhos de concreto que leva para uma porta amarelona, onde está escrito: “não entre”; deve ser uma sala técnica e tal, ou de manutenção, mas enfim, toda vez que via isso lembrava do ‘meu baú’ trancado. E isso existe em vários outros casos, caminhos que te atraem, só que no final de repelem. A planta carnívora é assim.
O fim então tem vários níveis. Uma pessoa normal não poderia atravessar essa porta do metrô que citei, os funcionários podem, então ela só é fim pra algumas pessoas. Quando um casal termina o namoro, é um fim, mas alguns voltam, às vezes brigam e voltam várias vezes, o fim não foi “o fim”. Clique aqui e veja “o fim” da internet, hehe.
Isso me lembra uma outra coisa também que passei um tempo pensando, entender aquelas placas de “Não pise na grama”. Porque pra mim grama sempre foi algo que foi feito pra ser pisada. Daí hoje eu fui assistir o dvd “classic albums: dark side of the moon”, e o Roger Waters fala que escreveu Brain Damage com esse pensamento…fiquei feliz por alguém ter tido um dia o mesmo pensamento que eu. É sempre bom saber que você não viaja sozinho em algo.
O que de certa forma também tem haver com um dos grandes problemas que eu vejo na relação que se criou com a Arte hoje em dia. É aquela coisa de “não me toque, sou uma obra de arte”. Existe uma série feita pela Lygia Clark chamada Bichos, que eram umas esculturas de metal com dobradiças que se moviam e tal. A graça dessas obras era a possibilidade de você interagir, hoje todas(ou pelo menos todas as vezes que vi) elas possuem uma etiqueta enorme de “não toque” ao lado, ou estão dentro de caixas de vidro. O que será que é melhor pra Arte? Deixar ela ser uma obra viva e presente, ou deixa-lá ser apenas um registro do passado? E isso é muito foda, porque é exatamente isso que acontece hoje em dia, a Arte deixou-se ficar muito presa ao passado…o passado é importante, mas a Arte deveria ser viva; inclusive vou contribuir pra isso e escreverei arte agora sempre sem ‘A’ maiúsculo. A arte precisa deixar de ser intocável.
Então desejo mais um fim, o da Arte.
Hanami 
5 de janeiro de 2010
Tá passando um filme agora no Espaço Unibanco, chama Hanami – Cerejeiras em flor. Assista que vale a pena. Eu assisti na mostra de 2008, é bem bonito. =}
Palavras chaves do filme são mais interessantes: casal velhinho, velho rabugento, velhinha boazinha e sonhadora, alemanha, morte, japão, butô, monte fuji.
Eu lembro que chorei, hahaha. Eu assisti aquele filme japonês ’A Partida’ outro dia no cinema, e tipo é engraçado que no final do filme eu ouvi uns solucinhos, haha…e analisei e as três pessoas chorantes eram tipo japonesas de meia idade, sendo que nem é um filme tão emocionante. Esse Hanami é muito mais intenso e tal. Assista.
A diretora e roteirista é Doris Dörrie, nem conheço, mas é bom deixar registrado. =]
Link do filme no IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0910559/
minhas férias com o torrent #2
26 de dezembro de 2009Assistido:
- the box (2009) esse é novo! do mesmo diretor do donnie darko. é legalzinho, apesar de não ser um donnie darko da vida. tipo, eu vi os 3 filmes desse diretor (Richard Kelly), e ele parece querer ser o novo David Lynch, só que menos ‘do mal’. são tipos de filme que as pessoas não gostam porque não entendem. mas são tipos de filmes que não feitos para serem entendidos do modo convencional, e sim interpretados. enfim, acho que é mais divertido o processo da sua cabeça virar um apêndice do filme, do que assistir um filme como se fosse cagar, mijar, comer, etc…
- la cite des enfants perdus (1995) é do jeunet, diretor de amélie poulain. a maioria dos filmes que estou vendo são pra fazer a rapa nos diretores que eu acho bacaninhas. Esse é meio tosquinho, mas a fotografia é legal e tal. História meio surreal também e meio natalina. Tem anões e o ator que fez o hellboy. =} É isso…
Ainda vou assistir:
- boogie nights, sempre quis ver, depois que descobri que é do diretor do sangue negro fiquei com mais vontade ainda =B…
- punch drunk love, também do paul thomas anderson.
- Lock stock and two smoking barrels, indicação da patrícia.
- Human nature, indicação da patrícia.
bonus das férias foi baixar a discografia do jimi hendrix, alguma coisa do john cage e do philip glass.
philip glass =b
minhas férias com o torrent
22 de dezembro de 2009chinatown
blade runner
reservoir dogs
jackie brown
death proof (3 hits – tarantino combo)
e continuará…
La teta y la luna
deer hunter
f for fake
the third man
koyaanisqatsi (isso é um filme mesmo, não uma risada web)
Trabalho da faculdade divertoso
6 de dezembro de 2009Lembrança do que sempre quis ser
29 de novembro de 2009Outro dia eu tava lembrando das coisas que quis ser quando era menorzinho
…Quando muito pequeno como a maioria dos meninos, eu quis ser jogador de futebol, mas isso passou rápido já que eu nunca via nenhum japonês ou descendente no futebol brasileiro que deu certo, mas acho que eu conseguiria ser um bom volante se tivesse treinado e tentado essa vida, hahaha. Enfim, 3 coisas basicamente eu quis muito ser, e o engraçado é que são bizarras. Primeiro era Pizzaiolo, eu gostava de ir numa pizzaria do Campo Limpo que chamava Nalenha, lá tinha aqueles vidros que dava pra ver o cara montando a pizza, eu ficava me apoiando na muretinha pra ver ele fazer e aprendendo as técnicas, foi o meu primeiro querer ser. Aprendi a fazer massa de pizza e tal, já fiz algumas, mas ainda preciso testá-las em um forno a lenha um dia. O segundo foi meio que junto desse, eu tinha um livro de origami e adorava ficar montando alguns, na época me bateu uma luz de pensar: “serei um origameiro profissional!”, hoje em dia só sei fazer um balão-caixa. E o terceiro era projetista de cinema, que foi um pouco mais recente, agravou-se depois que eu assisti Cinema Paradiso.
Hoje em dia eu já faço planos malucos de o que quero ser quando estiver bem velhinho. Quero 3 coisas, um bonsai, um jabuti e trabalhar como dublador de desenhos animados e/ou filmes de sessão da tarde.
Enquanto isso vou vivendo minha vida não menos interessante. E descobrindo que as melhores coisas são as que caem do céu, o que inclui a chuva. =)
Acho que eu sou uma das poucas pessoas dizem: “eu gosto de chuva” e de fato gosta de tomar uma chuva de verdade.
My Kid Could Paint That (2007) 
28 de novembro de 2009

pôster legal
Primeiro darei mais ou menos uma sinopse sobre o filme. Uma menina de 4 anos de uma família normal começa a pintar quadros abstratos e passa a ser uma celebridade e sucesso de vendas no mercado de Arte. Sim essa é uma sinopse porca.
Mas o documentário levanta muitas outras coisas. Inicialmente sobre “Arte Moderna”, como o próprio diretor diz dentro do documentário, depois passou a ser sobre “o poder da mídia”, e por fim passou a ser um pouco metalinguístico, onde se discutia no próprio documentário o que é contar uma história imparcial, impossível é claro, sempre há um ponto de vista. Até no filme, uma jornalista comenta sobre o documentário: “vai ser uma história sobre como contar uma história.”, e um crítico de arte: “Esse seu documentário vai de certa forma ser uma mentira. É a sua construção dos fatos.” Não sei exatamente se é uma mentira. Desse modo só há mentiras, e a verdade seria algo inalcançável. Prefiro pensar que todas pequenas verdades contribuem para uma verdade maior, como os quadros cubista de várias perspectivas formando uma única representação. Enfim, a grande polêmica do documentário é sobre a veracidade da autoria dos quadros, se o pai interferia ou não.
Os quadros da menina foram vendidos por 25.000, 10.000 doláres, é muita grana. E essa coisa dos preços da arte é o que fazem as pessoas acharem Arte um absurdo. Existe uma grande diferença entre a Arte e o mercado de Arte. Existem obras que tem seu valor pictórico, existem obras que tem seu valor histórico e existem obras que tem seu valor de mercado. As vezes as três coisas estão juntas, outras vezes não. A pessoa vai a um museu, olha uma obra e pensa: “eu poderia pintar isso”, de certa forma ela pode até ter razão. Você não precisa ser um gênio para estar num museu hoje em dia, você precisa de sorte e bons contatos que te farão ser uma celebridade. Não há méritos nessa menina do filme, mesmo que ela seja mesmo a autora de todos os quadros, ela só pinta. O que vem depois é um mercado que aceitou aquilo por seu valor excêntrico. 25.000 dólares são para o contexto. Eu não vi valor estético nenhum nos quadros dela, pra alguém pode ter, isso é relativo.
É triste ver como os objetos artísticos se tornaram peças de investimento. Por isso que eu prefiro o mundo da fotografia, do cinema, da arte reprodutiva em geral. Porque nela dificilmente se envolve um valor absurdo mercadológico, e sim um valor estético, mesmo nesses filmes americanos de só explosões e tudo mais que vendem milhões, apesar de existir uma intenção voltada para o lucro, muita gente gosta de ver pelo aspecto majestoso e sublime dessa coisa BOOOM, CABOOMM, CRASH. Não deixa de ser um grande valor estético que as pessoas encontram.
O filme em geral é bacana, gostei como o diretor e o próprio filme passaram a ser personagens no final. Ultimamente vendo esses documentários legais da até vontade de fazer um, quem sabe um dia eu faça
…Ah, só pra informar, o nome da menina é Marla Olmstead (clique para uma busca no google imagens)




