Galileu, Google Maps e o Mito da Caverna

27 de março de 2010

zoio grande

O que nos é apresentado durante nossas vidas são sempre como as sombras projetadas no fundo da caverna. Estou fazendo uma aula de teoria da comunicação digital, com um professor muito bom e engraçado, Massimo Di Felice. Durante uma aula ele explicou a mudança de paradigma da relação do homem com a sua forma de enxergar e vivenciar o mundo. Galileu apontou o telescópio, um invento recém descoberto, para o céu noturno, e então viu o que ninguém havia percebido, planetas, estrelas. Enfim… Isso foi definitivamente um marco, o homem com auxílio de um instrumento agora poderia transcender sua limitação corporal, passando a enxergar o mundo de uma nova forma, e sobretudo desconfiar da sua antiga e limitada captação passiva.
Muitos anos depois entra em ação um outro personagem, tão curioso sobre a vida quanto Galileu. Eu. Enquanto Galileu antes do telescópio observava a escuridão do céu apenas com pequenos pontos brilhantes, eu acordava cedo na minha antiga casa do Campo Limpo, olhando pra janela e observando quase no mesmo nível a frente das casa da pequena favela que havia atrás do meu prédio. Passei muitos anos pensando que havia apenas uma linha de casas na minha frente. Até o dia em que eu descobri o Google Maps, quando digitei o nome da rua que apontaria pra minha casa, foi quase como Galileu apontando o telescópio pro céu. Um disparo de olhar que mudou completamente a minha visão sobre aquilo que eu olhava mas nunca percebia. O Google Maps me ensinou que atrás da casa que eu via de frente, existia outra, e atrás da outra, outra, e outra, e mais outra…E o mais curioso é a relação inversa disso, enquanto Galileu olhou pro céu com um instrumento pra ver o que não percebia normalmente, eu usei um instrumento que do céu me mostrou na terra o que eu não percebia normalmente.
Não sei, mas fiquei pensando muito sobre isso durante a minha caminhada matinal de quinta-feira, e sei lá, achei que tinha um pouco haver com o mito da caverna também essa história. Tanto Galileu, o Google Maps, quanto o Mito da Caverna tem haver com o nosso olhar sobre as coisas. Sobre que toda a verdade do mundo está posta diante, entre e dentro de nós, e com os nossos 5 sentidos que postei anteriormente temos a falsa impressão de que compreendemos tudo, sem na verdade perceber muita coisa. Como diria Raul Seixas: “é você se olhar no espelho e se sentir-se um grandessíssimo idiota, saber que é humano, rídiculo, limitado e que só usa 10% de sua cabeça animal.”

E sei lá. Semana passada tive conjuntivite, e isso tem haver com o olhar também. =p

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