Rumpelstiltskin é uma história dos irmãos Grimm. Talvez pouca gente conheça por esse nome, o que é uma pena, um nome tão legal ser substituido popularmente por “a menina que transformava a palha em ouro”. Mas enfim, tem umas coisas nessa história que eu gosto muito. Principalmente a parte do enigma, na verdade eu acho que gosto de enigmas em geral. Essa coisa de uma palavra que vai gerar uma transformação, ou evitar algo. Na história, para não perder o seu primeiro filho a moça tem que descobrir o nome do leprechau em 3 dias. Que é Rumpelstiltskin. Ela descobre com a ajuda de um passarinho informante que ouviu o leprechau bêbado cantando seu próprio nome na floresta. Enfim, é muito legal essa coisa de uma palavra ser o gatilho de algo, transponho isso para a vida real, hehe. Às vezes uma palavra, ou algo simples que você faz, pode gerar algum acontecimento legal. Ou ruim também. Mas o fato de uma palavra, uma simples palavra que está perdida no mundo das palavras, que é alcançável a todo instante, ter em certo momento e para alguém determinado um valor transcendente ao próprio valor normal dela.
E ainda nisso, essa parte do nome lembra muito o que escrevi no post sobre exorcismo. Talvez essa história tenha algo de que quando você conhece e da nome aos seus problemas, é um grande passo para enfrenta-los, talvez o principal passo. E a história deve ser meio que uma metáfora sobre isso.
Talvez não deu pra entender no que eu quis chegar, mas enfim, pra mim isso da palavra ter encantos mágicos é bem interessante.
Ah, e só pra constar, conheci esse conto aí no antigo programa da cultura, Contos de Fada. Quem se lembra sabe que era um ótimo programa. =]
*Muita gente acha esse post no google procurando pela história de Rumpelstiltskin, segue o link para a história completa mesmo:
http://www.logoslibrary.eu/pls/wordtc/new_wordtheque.w6_context_baby.more_context_baby?parola=0&n_words=1&v_document_code=8190&v_sequencer=16139&lingua=bp
Tags: enigma, palavra como chave, Rumpelstiltskin

Rumpelstiltskin é um conto muito interessante.
Se vc pensar bem, o único prejudicado nessa história toda foi o anão. O rei ficou mais rico, o pai da jovem acabou sogro do rei, e a jovem, apesar de prejudicada no início, vira rainha e não cumpre o acordo com o anão.
Além disso, o anão é o único que não demonstra algum tipo de vício de caráter: o pai é mentiroso, o rei é ganancioso e a jovem é desonesta (apodera-se do trabalho dos outros, recusa-se a cumprir o terceiro acordo e trapaceia para descobrir o nome do anão). De fato, mostra-se até mesmo benevolente ao dar uma chance à jovem de continuar com seu filho.
Por um ponto de vista estritamente moderno, eu diria que a moral é que as pessoas honestas sempre se dão mal e que nada impede uma pessoa vítima de uma injustiça de cometer outra (e com efeito, pode até mesmo estimulá-la a isso na esperança de “empatar” o score).
Alternativamente, pode-se interpretar como uma advertência contra o ato de gabar-se de algo que não possui/fez (pai, jovem), fazer acordos que não pretende cumprir (jovem) ou cantar vitória (literalmente) antes da hora (anão).
Ah, o programa que passava na Cultura é uma produção dos EUA e chama-se “Faerie Tale Theatre”. No YT tem alguns episódios