
pôster legal
Primeiro darei mais ou menos uma sinopse sobre o filme. Uma menina de 4 anos de uma família normal começa a pintar quadros abstratos e passa a ser uma celebridade e sucesso de vendas no mercado de Arte. Sim essa é uma sinopse porca.
Mas o documentário levanta muitas outras coisas. Inicialmente sobre “Arte Moderna”, como o próprio diretor diz dentro do documentário, depois passou a ser sobre “o poder da mídia”, e por fim passou a ser um pouco metalinguístico, onde se discutia no próprio documentário o que é contar uma história imparcial, impossível é claro, sempre há um ponto de vista. Até no filme, uma jornalista comenta sobre o documentário: “vai ser uma história sobre como contar uma história.”, e um crítico de arte: “Esse seu documentário vai de certa forma ser uma mentira. É a sua construção dos fatos.” Não sei exatamente se é uma mentira. Desse modo só há mentiras, e a verdade seria algo inalcançável. Prefiro pensar que todas pequenas verdades contribuem para uma verdade maior, como os quadros cubista de várias perspectivas formando uma única representação. Enfim, a grande polêmica do documentário é sobre a veracidade da autoria dos quadros, se o pai interferia ou não.
Os quadros da menina foram vendidos por 25.000, 10.000 doláres, é muita grana. E essa coisa dos preços da arte é o que fazem as pessoas acharem Arte um absurdo. Existe uma grande diferença entre a Arte e o mercado de Arte. Existem obras que tem seu valor pictórico, existem obras que tem seu valor histórico e existem obras que tem seu valor de mercado. As vezes as três coisas estão juntas, outras vezes não. A pessoa vai a um museu, olha uma obra e pensa: “eu poderia pintar isso”, de certa forma ela pode até ter razão. Você não precisa ser um gênio para estar num museu hoje em dia, você precisa de sorte e bons contatos que te farão ser uma celebridade. Não há méritos nessa menina do filme, mesmo que ela seja mesmo a autora de todos os quadros, ela só pinta. O que vem depois é um mercado que aceitou aquilo por seu valor excêntrico. 25.000 dólares são para o contexto. Eu não vi valor estético nenhum nos quadros dela, pra alguém pode ter, isso é relativo.
É triste ver como os objetos artísticos se tornaram peças de investimento. Por isso que eu prefiro o mundo da fotografia, do cinema, da arte reprodutiva em geral. Porque nela dificilmente se envolve um valor absurdo mercadológico, e sim um valor estético, mesmo nesses filmes americanos de só explosões e tudo mais que vendem milhões, apesar de existir uma intenção voltada para o lucro, muita gente gosta de ver pelo aspecto majestoso e sublime dessa coisa BOOOM, CABOOMM, CRASH. Não deixa de ser um grande valor estético que as pessoas encontram.
O filme em geral é bacana, gostei como o diretor e o próprio filme passaram a ser personagens no final. Ultimamente vendo esses documentários legais da até vontade de fazer um, quem sabe um dia eu faça
…Ah, só pra informar, o nome da menina é Marla Olmstead (clique para uma busca no google imagens)
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